O Toyota Yaris é um dos pilares da presença europeia da Toyota. Produzido em França, tornou-se também o modelo mais vendido da marca japonesa neste continente: alcançou 224 000 unidades em 2019 e 7,6% de quota no segmento B.
Desde a estreia da primeira geração, em 1999, o modelo começou cedo a destacar-se: venceu o prestigiado troféu Automóvel do Ano na Europa - uma estreia para a Toyota. Na segunda geração, foi o primeiro automóvel do segmento a obter cinco estrelas nos ensaios de segurança Euro NCAP. Já a terceira geração foi pioneira ao disponibilizar uma variante híbrida no segmento B, em 2012.
O sucesso foi tal que, em vários mercados, a motorização híbrida passou a ser a única proposta disponível. Noutros, como Portugal, mantém-se a oferta do 1.0 de 72 cv e do 1.5 de 122 cv, embora o híbrido tenha representado mais de metade dos registos nacionais no ano passado. O caminho aberto pelo Yaris levou ainda rivais a seguir a mesma fórmula, como os novos Honda Jazz e Renault Clio, ambos com versões híbridas.
Mais desportivo na imagem e na condução
Para o Yaris IV, a Toyota aplicou a receita que vem a estender a toda a gama vendida na Europa: um visual mais expressivo, marcado por novos vincos na carroçaria, grelha maior e óticas de desenho mais agressivo, acompanhado por uma condução mais eficaz e até mais desportiva, além da otimização do sistema de propulsão.
Antes de mais, importa sublinhar que se trata de um automóvel inteiramente novo. A plataforma GA-B deriva das arquiteturas GA-C e GA-K, utilizadas, respetivamente, nos Corolla/Prius e Camry/RAV4. A sua grande novidade é o centro de gravidade particularmente baixo, que torna o carro mais “plantado” na estrada e aproxima mais o condutor da sua principal tarefa.
As proporções contribuem para esse objetivo. O Yaris Hybrid cresceu 5 cm em largura e perdeu 4 cm em altura, alterações que, só por si, favorecem a estabilidade em curva. O comprimento sofreu uma alteração residual, diminuindo 0,5 cm. Foi igualmente relevante aproximar os eixos das extremidades da carroçaria, permitindo aumentar a distância entre eixos em 5 cm, com os consequentes ganhos de espaço no habitáculo.
No interior, estas mudanças estruturais fazem-se sentir. Os bancos dianteiros foram deslocados 6 cm para trás e ficaram mais baixos: estão 2,1 cm mais próximos do piso, enquanto o centro de gravidade desceu 1,2 cm. O pilar dianteiro recuou também, uma solução que, juntamente com a instrumentação mais baixa, melhorou a visibilidade do condutor, segundo a Toyota. E isso verifica-se... para a frente, pois a menor área envidraçada e o perfil traseiro de coupé prejudicam a visão para trás, sobretudo no ângulo de ¾.
O condutor conta ainda com um volante de vocação mais desportiva, de aro mais pequeno e colocado numa posição 6º mais vertical. As versões mais equipadas incluem um visor de projeção a cores, com 10” de área de projeção. Trata-se de um elemento único neste segmento, já que a informação é projetada no para-brisas, como acontece em modelos de classes superiores, e não numa lâmina sobre a instrumentação, solução habitual em alguns automóveis mais acessíveis.
O tabliê foi redesenhado, apresentando uma imagem mais “séria” e um ecrã de infoentretenimento de maiores dimensões. Vem de série com 7”, mas pode receber a unidade de 8” usada no Corolla e no RAV4. Em contrapartida, não está tão bem integrado no painel como no antecessor, é algo lento na utilização e os gráficos parecem um pouco datados, algo frequente nos automóveis japoneses - admito que possa existir uma componente cultural nesta perceção transversal entre os europeus.
Apesar de terem aumentado as superfícies macias, continuam a existir muitos plásticos rígidos ao toque. Ainda assim, a qualidade de montagem é bastante convincente.
Bagageira pequena, habitáculo mediano
A largura disponível aumentou 1 cm à frente e 3 cm atrás, mas continua abaixo da oferecida por diversos rivais, como Volkswagen Polo, SEAT Ibiza e Hyundai i20. O espaço para as pernas na segunda fila cresceu apenas 1 cm, superando ainda assim o de concorrentes como Renault Clio, Opel Corsa ou Nissan Micra. Menos favorável é o acesso aos bancos traseiros: as portas posteriores são mais pequenas e os assentos da segunda fila estão 5 cm mais baixos, exigindo maior esforço para entrar e sair.
A bagageira mantém os 286 l da geração anterior, pelo que continua entre as menores da classe. Pelo menos, tem formas regulares e uma bandeja no piso que permite tornar a utilização mais flexível.
Evolução do sistema híbrido Toyota Yaris Hybrid
A evolução do sistema híbrido - não recarregável, isto é, sem carregamento externo e com autonomia elétrica reduzida - foi significativa. Não tanto pelo motor 1,5 de três cilindros e 90 cv, antes com 75 cv, associado ao motor elétrico de 80 cv, face aos anteriores 60. A potência máxima do conjunto chega aos 116 cv, contra 100 cv no antecessor. O motor a gasolina mantém o funcionamento em ciclo Atkinson, no qual as válvulas de admissão permanecem abertas durante mais tempo e atrasam a compressão, beneficiando os consumos, embora penalizando a entrega de potência.
Mais decisiva foi a troca da bateria de hidretos metálicos de níquel por uma unidade de iões de lítio. A Toyota demorou a adotar esta química mais moderna e evoluída, mas acabou por fazê-lo. A nova bateria pesa menos 12 kg, é muito mais compacta - 48 em vez de 120 células - e apresenta maior tensão e densidade energética, passando de 144 V para 177 V. Essencialmente, consegue absorver e fornecer energia a um ritmo muito superior, o que permite um aumento de potência de cerca de 50%.
Desta forma, foi possível ampliar o período durante o qual o Toyota Yaris Hybrid circula exclusivamente em modo elétrico, elevar a velocidade máxima elétrica de 50 km/h para 130 km/h e baixar o consumo em 20%, apesar do acréscimo de potência de 16%. Um segundo motor elétrico encarrega-se de colocar o motor a gasolina em funcionamento e de carregar a bateria durante as recuperações de energia.
Muito mais ligado à estrada
A primeira impressão ao volante do novo Toyota Yaris é muito semelhante à que tive com os novos Corolla e RAV4: o automóvel está muito mais ligado à estrada e ao condutor em todas as principais interfaces.
A suspensão, independente à frente e de eixo semi-rígido atrás, beneficia de vias 5,7 cm mais largas e controla muito melhor a inclinação da carroçaria em curva. O centro de gravidade mais baixo e a direção mais rápida e precisa reforçam o mesmo resultado.
Como é habitual, a transmissão de engrenagens planetárias e-CVT continua a ser o elo mais fraco, por não conseguir tirar total partido das capacidades dinâmicas do sistema de propulsão. Melhorou bastante: já não é tão perturbadora a falta de correspondência entre a velocidade e o ruído do motor a gasolina e a aceleração do carro. Ainda assim, a sensação de banda elástica - ou de estar a carregar na embraiagem enquanto se acelera - não desapareceu totalmente. Os japoneses insistem nesta caixa automática há 23 anos e não vale a pena contrariar essa opção, por mais que se tente...
O aumento de 37% na rigidez torsional da carroçaria também ajuda o Toyota Yaris a devorar curvas com outra disposição. No entanto, a combinação das jantes de 17” com a afinação Sport da suspensão é excessiva, podendo torná-lo demasiado “duro” - nunca pensei escrever isso acerca de um Yaris. Será preferível evitar esta associação, mesmo considerando que as molas do eixo traseiro são mais macias, também porque o próprio eixo é 80% mais rígido.
O motor a gasolina liga e desliga de forma muito discreta. Em percursos urbanos, é realmente possível circular bem mais de metade do tempo com ele “apagado”, recorrendo apenas à propulsão elétrica.
As prestações deram um salto importante, com ganhos de dois segundos tanto na aceleração dos 0 aos 100 km/h, agora cumprida em 9,7 s, como na recuperação entre 80 e 120 km/h. Portanto, mesmo sem ser um GTI, o novo Toyota Yaris Hybrid “despacha-se” muito bem, sobretudo em cidade e em estradas nacionais, e faria ainda melhor com outra caixa de velocidades...
Não vale a pena insistir no assunto, mas percebe-se o que se perde com esta transmissão ao constatar que o Yaris 1.5 exclusivamente a gasolina é apenas 1,2 s mais lento dos 0 aos 100 km/h quando equipado com caixa manual de seis velocidades...
A vertente mais sorridente está, naturalmente, nos consumos: a média oficial é de 3,7 l/100 km e, sem esforço, deverá ficar abaixo dos 4,5 l/100 km, mesmo fora da cidade.
Por fim, importa referir o equipamento de segurança e assistência à condução do Toyota Yaris Hybrid: manutenção na faixa de rodagem com assistência à direção, assistência em cruzamentos, airbag central dianteiro - para evitar que condutor e passageiro embatam um no outro após um impacto lateral - e travagem autónoma de emergência pré-colisão, agora capaz de detetar peões de dia e de noite, bem como ciclistas durante o dia.
Estes elementos contribuíram para que o novo Toyota Yaris se tornasse o primeiro a alcançar cinco estrelas nos testes Euro NCAP revistos, atualizados e mais exigentes.
Toyota Yaris: quando chega e quanto custa?
O novo Toyota Yaris Hybrid já está disponível em Portugal, com preços a partir de 20 990 euros. O Yaris 1.0 de 72 cv é a versão mais acessível, começando nos 16 990 euros, enquanto o 1.5 tem preços desde 23 190 euros.
Especificações técnicas
| Toyota Yaris Hybrid |
|---|
| MOTOR |
| Arquitetura |
| Posicionamento |
| Capacidade |
| Diâmetro x curso |
| Distribuição |
| Alimentação |
| Taxa de compressão |
| Potência |
| Binário |
| MOTOR ELÉTRICO |
| Tipo |
| Potência |
| Binário |
| RENDIMENTO MÁXIMO COMBINADO |
| Potência máxima combinada |
| BATERIA |
| Posição |
| Química |
| Capacidade |
| TRANSMISSÃO |
| Tração |
| Caixa de velocidades |
| CHASSIS |
| Suspensão |
| Travões |
| Direção / diâmetro de viragem |
| DIMENSÕES E CAPACIDADES |
| Comp. x larg. x alt. |
| Entre eixos |
| Bagageira |
| Depósito |
| Pneus |
| Peso |
| PRESTAÇÕES, CONSUMOS, EMISSÕES |
| Velocidade máxima |
| 0-100 km/h |
| Consumo misto |
| Emissões CO₂ |
Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform
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