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Hyundai i20 1.0 T-GDI Style 7DCT: teste ao novo utilitário

Automóvel Hyundai New i20 vermelho estacionado em showroom moderno com iluminação suave.

Basta olhar para ele… O novo Hyundai i20 é muito mais apelativo visualmente do que o seu antecessor, não é? Tenho de reconhecer que, ao vivo, causou uma impressão mais positiva do que aquela que tinha ficado das fotografias.

A terceira geração do utilitário sul-coreano abandona a discrição e as linhas horizontais do modelo anterior, apresentando-se agora com um desenho muito mais dinâmico, desportivo e… interessante. A Hyundai designa esta linguagem por “Desportividade Sensual”, recorrendo a vincos marcados, vértices incisivos e grafismos de maior impacto - basta observar o “Z” nas óticas traseiras. É, sem dúvida, um estilo mais carregado e dinâmico, mas sem enveredar por excessos ou maneirismos de desenho.

A imagem é reforçada por proporções mais bem conseguidas: é mais baixo e mais largo do que antes. Esta perceção é acentuada tanto pelas jantes de dimensões generosas da unidade ensaiada (215/45 R17) como pelo tejadilho preto - a carroçaria bi-tom é opcional no Style e de série no Style Plus -, que o faz parecer ainda mais baixo do que efetivamente é.

Mais estilo, também no interior

A aposta numa imagem dinâmica prolonga-se no habitáculo, bem mais expressivo visualmente do que o do antecessor, melhorando a primeira perceção de qualidade. Para isso contribui também o painel de instrumentos digital de 10,25″, com muito boa definição - embora não aprecie particularmente o grafismo dos “instrumentos” no modo de condução Comfort -, acompanhado por um ecrã de infoentretenimento com a mesma dimensão e qualidade de imagem. Este último é mais rápido a responder e mais agradável de utilizar do que em gerações anteriores.

Contudo, depois de nos instalarmos ao volante - o banco tende a ser firme, mas é confortável e oferece um apoio aceitável -, começamos a explorar as superfícies circundantes e percebemos que são integralmente feitas de plásticos rígidos, nem sempre agradáveis. Sim, trata-se de um utilitário, mas o Peugeot 208, por exemplo, recorre a materiais mais agradáveis tanto à vista como ao toque. A exceção é o volante, revestido em agradável pele sintética, com diâmetro e espessura adequados e uma pega muito boa.

Na segunda fila, há uma oferta generosa de espaço, quer para as pernas, quer em altura. Ainda assim, a proximidade entre a cabeça e a zona de união da porta com o teto nem sempre é a mais confortável. O túnel central é pouco pronunciado, algo que beneficia a eventual instalação de três passageiros atrás - não é a proposta mais indicada para esse cenário, mas quem viajar ao centro terá menos motivos de queixa do que em modelos concorrentes.

O novo Hyundai i20 possui igualmente uma das maiores bagageiras do segmento, com 352 l de capacidade. Porém, o acesso não é dos mais práticos para transportar objetos pesados e volumosos, pois a abertura encontra-se num plano mais alto do que o piso da bagageira.

Estilo desportivo, comportamento desportivo?

A resposta definitiva terá de ficar para mais tarde. Este primeiro contacto dinâmico com o novo Hyundai i20 foi curto e decorreu sob condições meteorológicas… desagradáveis - choveu sem parar -, não havendo tempo nem margem para aprofundar devidamente esta vertente.

Mesmo assim, as primeiras sensações foram bastante positivas. Não conquista nem diverte imediatamente como um Ford Fiesta, mas o novo Hyundai i20 percorre a estrada com competência e sem nunca se tornar aborrecido. Convida a conduzir, é ágil, e o eixo dianteiro reage prontamente às indicações do condutor. Só lhe falta uma direção mais comunicativa, pois bem precisava dela.

Tendo em conta o piso (muito) molhado, surpreendeu pela forma como resistiu à subviragem em ritmos mais elevados. E, quando acabou por ceder, fê-lo sempre de forma progressiva, sobretudo porque o pé direito esmagava o acelerador em vez de apenas o pressionar.

É verdade que o amortecimento revela uma tendência mais seca - um Renault Clio, por exemplo, absorve melhor as irregularidades sem sacrificar as capacidades dinâmicas -, mas não sei se a responsabilidade recai inteiramente na afinação da suspensão. Mais uma vez, as rodas de grandes dimensões poderão estar a contribuir para esta sensação.

Se houve um aspeto que se destacou acima de todos os restantes, foi a travagem. É como se os engenheiros da Hyundai tivessem eliminado qualquer folga ou cedência no acionamento do pedal. A resposta inicial é forte e incisiva, sem se tornar brusca, e é fácil de dosear - transmite uma enorme sensação de confiança e segurança.

Hyundai i20 1.0 T-GDI de 100 cv: parece mais potente

Outro ponto positivo está na cadeia cinemática desta unidade: o 1.0 T-GDI de 100 cv associado à 7DCT, a caixa de dupla embraiagem de sete velocidades. Funcionam muito bem em conjunto, com a 7DCT a parecer saber sempre qual a relação mais adequada. Isto acontece nos modos Comfort e Eco - neste último, o acelerador torna-se… anémico -, porque no Sport a sua atuação já não convence tanto.

Neste modo, basta esmagar o acelerador numa reta para a caixa mudar de relação quase ao tocar no limitador, o que até tem alguma graça. Contudo, numa condução mais rápida, mas sem excessos, esta preferência por rotações elevadas faz com que, por vezes, mantenha uma relação mais baixa do que seria ideal. As rotações ficam demasiado altas sem que isso resulte numa progressão mais rápida, fluida ou sequer agradável.

A calibração do acelerador no modo Sport é outro ponto a rever. O pedal direito torna-se claramente mais sensível, mas a sua resposta é menos progressiva, dando a sensação de que todo o “poder de fogo” do motor fica disponível logo nos primeiros milímetros de curso do pedal.

O 1.0 T-GDi é um “velho” conhecido, mas tenho de admitir que nunca me pareceu estar tão saudável como nesta aplicação. Não é o motor mais refinado, nem o que apresenta as melhores cordas vocais - soa sempre rouco e industrial -, mas demonstra ter energia de sobra, sobretudo nos regimes médios, parecendo até disponibilizar mais do que os anunciados 100 cv.

Tem força suficiente para sustentar velocidades de cruzeiro mais elevadas, incluindo em autoestrada, cenário em que o novo i20 revelou uma estabilidade elevada.

Se existe uma crítica a apontar ao novo modelo em andamento, é o refinamento. Basta encontrar um piso mais rugoso para que o ruído de rolamento suba acima do desejável. Sim, é um utilitário, mas alguns rivais são mais “sossegados”, como o Peugeot 208, por exemplo.

E mais?

A unidade ensaiada era uma versão Style, equipada com “mimos” como ar condicionado automático, as elegantes - e grandes - jantes de 17″ e, como opção, a carroçaria bi-tom. Estes elementos juntam-se a outros disponíveis em todos os novos i20, como Apple CarPlay e Android Auto sem fios, bem como equipamentos de segurança ativa, entre os quais a travagem autónoma de emergência e o sistema de manutenção na faixa de rodagem (LKA).

Como já tínhamos referido quando os preços foram anunciados, o novo Hyundai i20 é inclusivamente mais barato do que o antecessor em versões equivalentes, trazendo simultaneamente mais e melhor equipamento. No caso deste Hyundai i20 1.0 T-GDI Style 7DCT, os preços começam nos 19 400 euros, um valor bastante competitivo perante tudo o que oferece.

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