Polémicos nos últimos tempos - injustamente, importa dizê-lo -, os híbridos plug-in continuam, ainda assim, a chegar ao mercado nacional em números crescentes. O Kia XCeed PHEV é mais uma demonstração dessa tendência.
A versão híbrida plug-in do XCeed foi anunciada desde a apresentação do modelo. Tal como seria de esperar de uma proposta deste tipo, promete consumos e emissões mais baixos, bem como várias dezenas de quilómetros em modo exclusivamente elétrico. Era, por isso, tempo de confirmar se cumpre o prometido.
Igual por fora…
No exterior, há apenas dois pormenores que permitem identificar este Kia XCeed PHEV. Um deles é a inevitável tomada de carregamento, instalada no guarda-lamas dianteiro; o outro são as jantes exclusivas desta variante.
Com uma conceção mais aerodinâmica, estas jantes são visivelmente menores do que as utilizadas nos restantes XCeed: têm 16” em vez das habituais 18”. Estão ainda associadas a pneus 205/60, pensados para favorecer tanto a poupança como o ambiente.
De resto, o CUV (crossover utility vehicle) sul-coreano mantém sem alterações o seu estilo dinâmico e bem conseguido. Continua a chamar a atenção por onde circula, mesmo quando surge numa tonalidade mais discreta, como a da unidade ensaiada.
… e por dentro
Também no habitáculo, o XCeed PHEV é praticamente igual aos restantes elementos da família. Ainda assim, a natureza desta versão trouxe alguns detalhes próprios: há um comando suplementar para selecionar os modos híbrido/elétrico (HEV/EV), o sistema de infoentretenimento inclui menus específicos e o painel de instrumentos apresenta dados relativos ao sistema híbrido.
No restante, segue a receita conhecida dos XCeed e Ceed. A montagem revela boa qualidade, a ergonomia está bem resolvida - ajudada, em grande medida, pela permanência dos comandos físicos - e não faltam espaços de arrumação úteis e variados.
Mas haverá uma diferença verdadeiramente relevante entre o XCeed PHEV e os outros XCeed, para lá dos elementos já referidos? Sim: a bagageira, ou, mais precisamente, a respetiva capacidade.
Embora o espaço disponível para os ocupantes não tenha sofrido alterações e permita transportar quatro adultos com conforto, a capacidade da bagageira diminuiu de 426 litros para 291 litros. O motivo está sob o piso: é aí que se encontra a bateria de 8,9 kWh que alimenta o motor elétrico.
Kia XCeed PHEV: mais pesado, mas não menos atlético
Em andamento, o XCeed PHEV aproxima-se bastante dos seus “irmãos” equipados apenas com motores de combustão. É previsível, seguro e estável, lidando de forma eficaz com os cerca de 200 kg adicionais face às outras versões, resultantes do sistema elétrico e da indispensável bateria.
A maior distância ao solo permite também enfrentar estradas mais degradadas com maior à vontade. Diminui-se, assim, a probabilidade de raspar a parte inferior do automóvel numa depressão menos percetível, sem comprometer o controlo da carroçaria. O conforto beneficia ainda dos pneus com um perfil mais alto.
Consumos saem a ganhar
Até este ponto do ensaio, a eletrificação do XCeed trouxe duas consequências evidentes: mais peso - 1594 kg, contra os 1345 kg do XCeed 1.4 T-GDi - e uma bagageira menos generosa. Perante isto, é legítimo perguntar o que se ganha em troca.
Acima de tudo, obtém-se um apetite mais moderado. Os consumos são, de facto, inferiores aos registados na correspondente versão a gasolina. Com a bateria carregada e o modo híbrido selecionado, foi possível alcançar uma média de 2,6 l/100 km num percurso misto. Em ambiente urbano, a eficiente gestão da bateria permite percorrer muitos quilómetros com um consumo de… 0 l/100 km, graças à utilização exclusiva do motor elétrico.
Quando a bateria ficou sem carga e o motor a gasolina passou a assumir o papel principal, os consumos pouco ultrapassaram os 5,5 l/100 km. Em cidade, situaram-se entre os 6,5 e os 7 l/100 km.
Para comparar com o XCeed equipado com o 1.4 T-GDi de 140 cv e 242 Nm, também ensaiado, este registou consumos entre os 5,4 l/100 km em ritmos tranquilos e os 6,5 a 7 l/100 km numa condução mais rápida. Já em percursos urbanos, a média foi de 7,9 l/100 km.
E as prestações?
A prioridade do XCeed PHEV é a eficiência, mas não se pode dizer que o modelo sul-coreano seja “pastelão”. Com uma potência máxima combinada de 141 cv e um binário máximo combinado de 265 Nm, resultantes do “casamento” entre o motor elétrico de 44,5 kW (61 cv) e 170 Nm e o motor a gasolina de 1.6 l, 105 cv e 147 Nm, revela-se mais do que adequado às exigências diárias.
No modo “Normal”, a resposta do acelerador é mais “calma”, privilegiando a contenção dos consumos. Já em “Sport”, o XCeed parece “acordar” e, tirando partido da disponibilidade imediata do binário do motor elétrico, assegura prestações bastante aceitáveis.
O mais interessante é que, mesmo com esta “dupla personalidade”, o CUV sul-coreano não penaliza excessivamente os consumos. Além disso, a caixa automática de dupla embraiagem com seis relações proporciona uma utilização muito mais agradável do que a CVT - ou soluções semelhantes - presente em alguns rivais.
É o carro certo para mim?
Mais eficiente do que as variantes a gasolina - e até do que as Diesel, caso o sistema híbrido plug-in seja utilizado corretamente -, este XCeed PHEV posiciona-se como uma das propostas mais interessantes da gama.
Às qualidades já reconhecidas do XCeed, como o visual apelativo e robusto, o bom nível de equipamento e a garantia alargada de sete anos ou 150 mil quilómetros, esta versão junta uma economia de utilização que pode ser invejável.
É certo que a bateria obrigou a reduzir a capacidade da bagageira. Contudo, a suavidade de funcionamento e os consumos baixos fazem quase esquecer essa limitação.
Para clientes empresariais, o XCeed PHEV permite combinar os incentivos fiscais com uma poupança em utilização urbana normalmente associada aos elétricos, sem abdicar da versatilidade que, por enquanto, só um automóvel com motor de combustão consegue oferecer.
Já os particulares que possam ser afastados pelo preço elevado deste XCeed PHEV devem considerar que está em vigor uma campanha que o coloca num patamar bastante mais razoável.
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