Enquanto a Tesla aposta tudo na inteligência artificial e na robótica, Elon Musk reconhece finalmente que desenvolver o seu robot Optimus é um desafio industrial sem precedentes. Uma constatação que fez as ações da empresa cair em Bolsa.
Há já algum tempo que Elon Musk afirma em alto e bom som que a Tesla deixou de ser apenas uma fabricante de automóveis: é agora uma empresa tecnológica orientada para a inteligência artificial (IA) e para a robótica. A estratégia passa pelos robotáxis Cybercab, pela criação de chips próprios, por infraestruturas de computação de grande dimensão e, sobretudo, pelo seu humanoide Optimus.
Tesla acelera os investimentos em IA e robótica
No entanto, financiar esta transformação histórica tem um preço. A empresa prevê investir mais de 25 mil milhões de dólares este ano e pondera pedir emprestados até mais 30 mil milhões de dólares para acelerar o plano. A administração assume esta escalada financeira e, segundo o seu responsável máximo, promete retornos de investimento inéditos. Já os investidores parecem estar cada vez mais inquietos.
Elon Musk reduz as expectativas sobre o robot Optimus
Com razão: na chamada telefónica dedicada aos resultados trimestrais da Tesla, Elon Musk adotou um tom surpreendentemente cauteloso, muito distante das suas habituais declarações triunfalistas. Há poucos meses, garantia que o Optimus seria o «produto mais importante de todos os tempos», prevendo a chegada iminente de milhões de unidades ao mercado.
Esse entusiasmo está agora bem menos presente. «É um problema muito complexo de resolver», admitiu a propósito da produção em massa do humanoide. Assim, este robot é «o produto mais difícil de industrializar que alguma vez fabricámos na Tesla», devido a componentes inteiramente novos e a uma cadeia de abastecimento que precisa de ser criada do zero.
Optimus enfrenta obstáculos na produção em grande escala
Entre a dificuldade de reproduzir a destreza da mão humana, os desafios da produção à escala industrial e as dúvidas persistentes perante concorrentes como a Boston Dynamics ou a Figure, Elon Musk percebe que converter a sua ambição futurista numa realidade industrial está longe de ser um processo simples.
A situação financeira da fabricante também não é perfeita. Embora as receitas tenham aumentado 23% face ao ano anterior, para 28 mil milhões de dólares, as ações caíram abruptamente 14%. Um fluxo de caixa negativo de 1,1 mil milhões de dólares e um lucro líquido em queda explicam esta reação, ilustrando o custo colossal da nova estratégia de Elon Musk.
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