Quantas vezes já ouvimos que os jovens deixaram de gostar de carros? Há menos urgência em obter a carta de condução, especialmente nas grandes cidades, as publicações dedicadas ao automóvel vendem menos e a ligação ao carro parece distante da que existia há duas ou três décadas.
No entanto, basta entrar no TikTok, no Instagram ou no YouTube para encontrar um cenário bem diferente. Nunca se produziu tanto conteúdo sobre automóveis, nem existiram tantas maneiras de conhecer carros que nasceram muito antes de quem hoje os aprecia. Talvez a questão não seja saber se os jovens gostam de carros, mas antes de que forma gostam deles.
Este é um dos temas centrais da conversa com Francisco Costa Santos, jornalista do ACP e representante do Automóvel Club de Portugal no grupo Youth & Heritage da FIA, cuja missão passa precisamente por aproximar as novas gerações do património automóvel.
É também por essa via que chegamos aos youngtimers. Neste episódio do Auto Rádio, o podcast da Razão Automóvel apoiado pelo Piscapisca.pt, falamos de automóveis, gerações, liberdade, nostalgia e da curiosa relação emocional que conseguimos estabelecer com máquinas de que, racionalmente, não precisamos.
Talvez a paixão pelos carros tenha apenas assumido outra forma
Uma das questões debatidas no episódio é esta: será que estamos a interpretar a menor procura por revistas de automóveis, ou a menor pressa em tirar a carta, como uma ausência de interesse pelos carros?
Francisco Santos não parece concordar com essa ideia. Os canais mudaram, tal como a forma de consumir informação, e até os motivos de interesse podem ser outros. Há quem se deixe conquistar pelo design, outros pela mecânica, pelas prestações ou pela tecnologia. E há, claro, quem aprecie carros elétricos. Não deixam de ser carros.
Há ainda outro ponto a considerar: quando se fala de jovens que não necessitam de automóvel, muitas vezes pensa-se apenas em quem mora nos grandes centros urbanos. Fora dessas zonas, o carro continua a significar algo bem mais essencial: mobilidade e liberdade.
Onde se enquadram os youngtimers?
Pensemos no seguinte: um carro de 1996 tem já 30 anos. Do ponto de vista técnico, pode integrar o universo dos clássicos, mas, para muitos, continua a parecer demasiado recente para receber essa designação. É nesse território que se encontram os youngtimers.
Falamos de automóveis muito diferentes entre si, desde um Porsche 911 da geração 996 até ao inevitável Citroën Saxo Cup, que passou de presença comum nas estradas portuguesas a carro desejado. Modelos que, há poucos anos, eram apenas usados começam agora a ser procurados e conservados.
Porquê? Pela nostalgia, pelos preços, pelas memórias de infância ou simplesmente por representarem o equilíbrio entre carros suficientemente antigos para terem personalidade e suficientemente modernos para serem utilizados com regularidade? As respostas podem ser várias. E há também histórias de carros que acabaram na sucata e que, hoje, fariam chorar muita gente.
Auto Rádio regressa na próxima semana
Não faltam, por isso, razões para ver ou ouvir o mais recente episódio do Auto Rádio, que regressa na próxima semana às plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
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