O mercado automóvel francês viveu um autêntico abalo em julho: os automóveis 100% elétricos bateram todos os máximos ao ultrapassarem, pela primeira vez, um terço das vendas de veículos novos. Este avanço recorde altera profundamente o equilíbrio face às motorizações térmicas.
De acordo com os dados oficiais mais recentes da Plateforme automobile (PFA), o setor automóvel em França atravessa um verão animador. Em julho de 2026, foram matriculados 153 746 veículos ligeiros, o que representa um aumento global de 3,67% face ao mesmo mês do ano anterior.
O principal impulso veio, em particular, do mercado de automóveis de passageiros, que cresceu 8,96%, alcançando 126 808 matrículas. Em contrapartida, os veículos comerciais ligeiros (VCL) registaram uma evolução oposta. Com 26 938 unidades matriculadas, este segmento caiu expressivos 15,62%, mostrando que o vigor do mês resulta sobretudo das compras das famílias, e não das frotas profissionais.
Apesar da quebra nos comerciais, a melhoria de julho reforça a tendência anual divulgada pela PFA: nos primeiros sete meses de 2026, o mercado acumulado de veículos ligeiros totalizou 1 192 765 matrículas, correspondendo a um crescimento de 1,43% em comparação com 2025.
O abalo dos automóveis elétricos
A transformação mais marcante de julho de 2026 verificou-se, porém, nos elétricos. Os automóveis 100% elétricos atingiram um marco histórico ao conquistarem mais de um terço das matrículas de automóveis de passageiros, ou seja, 35%.
Este resultado deve-se, em grande medida, ao desempenho particularmente forte de alguns intervenientes, como a Tesla. A marca acompanhou esta dinâmica com um salto de +85,85% nas matrículas em julho, chegando às 2 429 unidades, contra 1 307 no mesmo período do ano passado. Esta progressão continua a retirar quota às tradicionais motorizações a gasolina e дизель, que passam para segundo plano perante consumidores cada vez mais voltados para a mobilidade elétrica.
Os novos equilíbrios do mercado automóvel francês
Embora os elétricos estejam a redefinir o setor, os grandes grupos tradicionais continuam a ter um peso considerável. O Grupo Renault apresentou um desempenho positivo, com uma subida de 9,51% nos automóveis de passageiros, impulsionada pela própria marca Renault (+21,89%) e pela Alpine (+112,70%). Já a Stellantis avançou 7,18% no mês, apoiada sobretudo pelos aumentos relevantes da Citroën (+17,30%) e da Fiat (+53,48%).
Ao mesmo tempo, torna-se mais evidente a ofensiva de novos intervenientes e de marcas asiáticas. O grupo Geely e as suas filiais representam bem esta tendência, como demonstra a Volvo, que registou um crescimento expressivo de 66,08%. A pressão crescente dos construtores estrangeiros e 100% elétricos está a obrigar os fabricantes históricos a acelerar o ritmo. Julho confirma, assim, que a transição se tornou uma realidade incontornável no mercado.
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