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Hennessey Venom F5: conseguirá ser o carro mais rápido do mundo?

Carro desportivo amarelo Venom F5 exposto em showroom com espelhos refletindo a viatura.

O Hennessey Venom F5 foi apresentado pela primeira vez em 2017, com a ambiciosa promessa de alcançar as 300 mph (483 km/h) e conquistar o estatuto de carro mais rápido do mundo - muita coisa mudou entretanto…

Depois de um Bugatti Chiron modificado ter superado essa fasquia emblemática - ainda que apenas num sentido, importa sublinhar - ao registar 304,773 mph, equivalentes a 490,484 km/h, os vários pretendentes ao título de carro mais rápido do mundo, entre os quais este novo Venom F5, viram-se forçados a elevar a meta para, pelo menos, 311 mph, ou uns redondos 500 km/h.

Há pouco tempo, vimos o SSC Tuatara reivindicar esse recorde, anunciando uma velocidade média de 508,73 km/h e um máximo de 532,93 km/h - números que pareciam difíceis de acreditar… e que acabaram mesmo por não resistir ao escrutínio. O caso tornou-se num dos episódios mais insólitos de que há memória na procura de um recorde: desde a análise do vídeo oficial, que demonstrava ser impossível o Tuatara ter chegado àquela velocidade, à resposta da SSC com afirmações que se revelaram enganosas, tudo apontou para uma única forma de recuperar a credibilidade: repetir a tentativa de recorde.

Assim, por agora, o Koenigsegg Agera RS mantém-se como o carro mais rápido do planeta. O feito foi alcançado em 2017, com uma velocidade média oficial de 446,97 km/h e um pico registado de 457,49 km/h. A própria Koenigsegg quer proteger o título com o Jesko Absolut, uma variante do Jesko concebida especificamente para esse objetivo.

É neste cenário ainda conturbado que a norte-americana Hennessey apresenta a versão definitiva do Venom F5, cujo desenvolvimento está praticamente terminado e cujas entregas deverão arrancar durante 2021. A produção deste hiperdesportivo ficará limitada a somente 24 unidades, com preços a partir de 2,1 milhões de dólares (aprox. 1,722 milhões de euros).

Mais de 500 km/h

Para cumprir a promessa de ultrapassar os 500 km/h, o Hennessey Venom F5 recorre a um imponente V8 biturbo baptizado de Fury (fúria). E tudo indica que fará jus ao nome. Com 6,6 l de cilindrada, este V8 a 90º produz 1842 cv e 1617 Nm de binário máximo, valores gigantescos enviados exclusivamente para as rodas traseiras - equipadas com pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 largos e aderentes, nas medidas 345/30 ZR20 atrás e 265/35 ZR19 à frente - através de uma transmissão semi-automática de sete velocidades.

O Fury pesa 280 kg e, curiosamente, utiliza um bloco em ferro. Ainda assim, a sua construção integra inúmeros materiais leves, incluindo alguns exóticos: as cabeças são em alumínio, enquanto componentes como a cambota, os pistões, as bielas e as válvulas recorrem ao titânio. O sistema de escape é fabricado em Inconel e a lubrificação é assegurada por cárter seco.

A Hennessey anuncia 1360 kg de peso a seco. Mesmo considerando todos os fluidos, o combustível necessário ao funcionamento e um condutor, o Venom F5 deverá apresentar mais potência do que peso - menos de 1 kg/cv -, antecipando desempenhos verdadeiramente extraordinários.

Apesar de ter tração traseira, chega aos 100 km/h em apenas 2,6s. Porém, são os restantes registos que mais impressionam: precisa de somente 4,7s para alcançar os 200 km/h, 8,4s para os 300 km/h e, 15,5s depois do “disparo” inicial, já circula a 400 km/h - fúria e insanidade? Sem dúvida.

Para travar toda essa… fúria e insanidade, o Hennessey Venom F5 está equipado com discos de travão dianteiros e traseiros de carbono-cerâmica, com 390 mm x 34 mm, associados a pinças de seis êmbolos à frente e de quatro atrás.

À semelhança dos rivais Jesko e Tuatara, estarão disponíveis dois pacotes aerodinâmicos. O primeiro privilegia uma menor resistência ao ar e menos força descendente, permitindo atingir os 500 km/h; o segundo oferece mais força descendente e destina-se à utilização em circuito. O coeficiente de resistência aerodinâmica anunciado (Cx) é de 0,39.

Volante… ou manche?

Os 1360 kg a seco anunciados explicam-se sobretudo pela utilização extensiva de fibra de carbono, presente tanto na monocoque - que pesa apenas 86 kg - como nos painéis da carroçaria. No habitáculo, o foco é igualmente muito definido: tudo está orientado para o condutor/piloto. O interior é minimalista e o elemento em maior evidência é o volante, inspirado no manche de um avião e sem secção superior, uma solução que melhora a visibilidade e incentiva uma posição mais correta da cabeça do condutor/a no banco.

O volante também evoca os utilizados na Fórmula 1, reunindo diversos comandos, desde a ativação dos faróis e dos limpa-para-brisas até à escolha dos modos de condução. Existem cinco modos: Sport, Track (pista), Drag (arranque), Wet (molhado) e F5. Os 1842 cv só ficam totalmente disponíveis neste último modo, o F5, sendo que cada modo inclui afinações próprias para vários parâmetros, como a entrega de potência e os sistemas de controlo de tração e estabilidade.

Mesmo neste interior despojado, não faltam comodidades quotidianas, como ar condicionado, Apple CarPlay e Android Auto. A Hennessey promete que o Venom F5 terá uma dose razoável de civilidade numa utilização mais mundana, algo que não se poderia dizer do antecessor, também chamado Venom, desenvolvido a partir de um Lotus Exige bem mais modesto.

Conseguirá o Hennessey Venom F5 o título de carro mais rápido do mundo?

Para conhecer a resposta será preciso aguardar mais algum tempo - a tentativa deverá acontecer algures durante 2021 -, embora a Hennessey já esteja a prepará-la. A corrida será validada de forma independente pela Racelogic, que utilizará sistemas de aquisição de dados VBOX GPS. Caberá aos engenheiros da Racelogic e da VBOX verificar todos os dados recolhidos e as velocidades alcançadas.

A Hennessey contará também com testemunhas independentes, órgãos de comunicação social e clientes do Venom F5 durante a tentativa. Os dados de GPS e a gravação vídeo contínua da prova serão disponibilizados publicamente - ninguém quer voltar a assistir ao que aconteceu com o SSC Tuatara.

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